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sexta-feira, 24 de abril de 2015

ORAÇÕES A PENA BRANCA


 Caboclo Pena Branca


 ORAÇÃO A PENA BRANCA -(rezada no Caribe)
Em nome de Deus Todo Poderoso,
Eu invoco o grande Pena Branca,
fiel espírito índio, grande herói,
zelador de meu altar e morada.
A você que me guia e conhece minhas necessidades,
peço proteção e luz.
Livra-me de toda má intenção e inimigos, ocultos ou manifestados.
Vigia meus caminhos e que nenhum feiticeiro ou bruxo malvado, possa cruzar comigo.

Grande espírito, te ofereço esta vela (acender uma vela verde) e chamo seu nome.
 Amém !

RECEITAS TRADICIONAIS

BANHO DE PROTEÇÃO PENA BRANCA
(utilizado no Caribe)
4 litros de água,
Um pouco de erva cidreira,
Um pouco alfavaca,
Algumas pétalas de rosa branca.
Ferver as ervas, esperar esfriar um pouco e acrescentar as pétalas.
Acender uma vela verde antes do banho.
ÁGUA DE PENA BRANCA PARA PURIFICAR A RESIDÊNCIA (receita da Obeah).
1 litro de água mineral,
Um pouco de erva cidreira,
Um pouco de arruda,
Um pouco de verbena,
Sete gotas de essência de almíscar.
Misturar as ervas e ferver. Deixar esfriar e adicionar a essência.
Acender uma vela verde e pedir a Pena Branca para benzer a água.
Depois que a vela acabar, borrifar os cantos da casa, cama e objetos pessoais.

VELA MÁGICA DE PENA BRANCA PARA TRAZER PAZ
 (receita do culto Maria Lionza  da Venezuela).

Uma vela de sete dias branca,
Um pouco de melaço de cana,
Um pouco de açúcar cândi,
Sete cravos-da-índia,
Sete gotas de essência de rosas,
Sete gotas de essência de verbena.
Misturar em um prato o melaço, açúcar e as essências. Untar a vela (mas não o pavio) e espetar os cravos nela, formando uma cruz (pode fazer os furinhos com a ajuda de um prego fino). A vela deve estar sem a capa de plástico. Acender a vela e pedir a ajuda deste caboclo

Pena Branca: irmão universal, sem fronteiras.





No Brasil conta-se a história de que Pena Branca nasceu em aproximadamente 1425, na região central do Brasil, hoje, entre Brasília e Goiás, onde seu pai era o Cacique da tribo. Filho mais velho de seus pais e desde cedo se mostrou com um diferencial entre os outros índios da mesma tribo, era de uma extraordinária inteligência. 
  
Na época não havia o costume de fazer intercâmbios e trocas de alimentos entre tribos, apenas algumas tribos faziam isto, pois havia uma cultura de subsistência, mas o Cacique Pena Branca foi um dos primeiros a incentivar a melhora de condições das tribos, e por isso assumiu a tarefa de fazer intercâmbios com outras tribos, entre elas a Jê ou Tapuia e Nuaruaque ou Caríba. 

Quando fazia uma de suas peregrinações ele conheceu na região do nordeste brasileiro (hoje Bahia), uma índia Tupinambá que viria a ser a sua mulher, chamava-se “Flor da Manhã” a qual foi sempre o seu apoio. 

Como Cacique Tupinambá, foi respeitado pela sua tribo de tupis, assim como por todas as outras tribos e principalmente a maior rival, os Caramurús, que após a chegada dos portugueses se uniram aos Tupinambás, nascendo então outra nação indígena, a nação Caramurú-Tupinambá, na qual Pena Branca passou a ser o Cacique Geral, apesar disso, continuou seu trabalho de itinerante por todo o Brasil na tentativa de fortalecer e unir a cultura indígena. 

Certo dia Pena Branca estava em cima do Monte Pascoal no sul da Bahia, e foi o primeiro a avistar a chegada dos portugueses nas suas naus, com grandes cruzes vermelhas no leme. 

Esteve presente na primeira missa realizada no Brasil pelos Jesuítas, na figura de Frei Henrique de Coimbra. 

Desde então procurou ser o porta-voz entre índios e os portugueses, sendo precavido pela desconfiança das intenções daqueles homens brancos que ofereciam objetos, como espelhos e pentes, para agradá-los. 

Aprendeu rapidamente o português e a cultura cristã com os jesuítas. 

Teve grande contato com os corsários franceses que conseguiram penetrar (sem o conhecimento dos portugueses) na costa brasileira – muito antes das grandes invasões de 1555 – aprendeu também a falar o francês. 

Os escambos, comércio de pau-brasil entre índios e portugueses, eram vistos com reservas por Pena Branca, pois ali começaram as épocas de escravidão indígena e a intenção de Pena Branca sempre foi a de progredir culturalmente com a chegada desses novos povos, aos quais ele chamava de amigos.


O Cacique Pena Branca faleceu no ano de 1529, com 104 anos de idade, deixando grande saudade a todos os índios do Brasil, sendo reconhecido na espiritualidade como servidor na assistência aos índios brasileiros, junto com outros grandes espíritos, como o Cacique Cobra Coral e Cacique Tupinambá. Apesar de não ter conhecido o Padre José de Anchieta em vida, já que este chegou ao Brasil em meados de 1554, Pena Branca foi um dos espíritos que ajudou este abnegado jesuíta no seu desligamento desencarnatório e por isso Padre José de Anchieta trabalha atualmente em conjunto com Mestre Pena Branca

O caboclo Pena Branca realiza tarefas, pelo domínio e conhecimento profundos que ele tem sobre manipulação fluídica e sobre os recursos da natureza, sendo grande colaborador de trabalhos de cura.


No México conta-se que Em 1929, o poderoso cacique Pena Branca, líder dos índios Yaqui , liderou uma revolta contra a opressão e a injustiça que vitimavam o seu povo. Desde este momento, nas terras americanas, o mito desta grande entidade nasceu.
Pena Branca é hoje um símbolo de liberdade, autenticidade e fraternidade. Entrando em contato com muitos irmãos de cultos afro-indígenas do México, Caribe e Estados Unidos. 

Fica a pergunta:
"Será nosso Caboclo Pena Branca, esta mesma entidade ou um representante dela ?"

Certa vez, perguntei ao irmão Alberto Salinas, curandeiro e médium de uma tradição espiritualista mexicana, quais as principais entidades que incorporavam em seu templo. O primeiro nome que ouvi foi : Pena Branca. Em seguida, comentei que no Brasil, também incorporava um índio do mesmo nome. Ele não se surpreendeu e disse que outros "penas" também frequentavam sua sessão de cura, nada impedindo que fossem as mesmas entidades.

Longe dali, no Caribe, existe uma religião chamada de Vinte e Uma Divisões (ou Vinte e Uma Linhas) que é muito parecida com a nossa amada Umbanda. Na Linha de Índio Bravo, uma das Vinte e Uma Linhas, encontramos também nosso velho amigo : Pena Branca !

Nos estados sulistas dos Estados Unidos, existem algumas igrejas espíritas. Os pastores são médiuns e bem íntimos com as manifestações do Mundo Invisível.  O espírito principal que chefia estas igrejas, às vezes chamadas de Igrejas Espiritualistas Africanas, é o Chefe Índio Falcão Negro. Quando o Chefe Falcão se manifesta, ele puxa outros companheiros das aldeias do astral, como Nuvem Vermelha, Águia Negra (nomes de chefes indígenas que existiram) e entre eles está: Pena Branca.

Algumas fraternidades esotéricas americanas, que cultuam os Mestres Ascencionados como Saint Germain, El Morya e outros bem conhecidos da Nova Era, conhecem um belo Mestre curador. Ele aparece como um índio banhado em branca e luminosa luz, dando sábios conselhos e mensagens (veja uma imagem dele aqui reproduzida). Seu nome ? Mestre Pena Branca.

Em algumas ilhas do Caribe existe um culto chamado Obeah, de origem africana. Dentro dele são celebrados os mistérios dos espíritos de origem indígena taino, etnia local. Existem muitas entidades indígenas, a maioria com comportamento muito arredio e nomes de animais, como Cobra Verde, Pantera Negra, Jaguar Dourado e etc... Quando incorpora a Falange do Povo Alado, simbolizada pelos pássaros e morcegos, um deles tem um destaque especial. Este espírito se apresenta sério, compenetrado, usa tabaco fortíssimo e uma pena branca na cabeça. Como é chamado? Índio Pena Branca. Pois então, novamente o encontramos.

Na Venezuela existe um culto belíssimo, semelhante em tudo com a Umbanda de nossa terra. Tem caboclo, preto velho, exu, marinheiro, Orixás e tudo de bom. É a tradição de Maria Lionza, a Rainha Mãe da Natureza.  Na Linha Índia, comandada pelo famoso espírito do Cacique Gaicaipuro, incorporam centenas de caboclos venezuelanos e americanos.

Nas andanças pelo Brasil, num terreiro, perto do congá, estava um rapaz incorporado com um caboclo. Atento, o índio ouvia pacientemente uma velha senhora e a limpava com um maço de ervas perfumadas.   A senhora chorava muito e tremia.  No final da sessão, o semblante dela havia mudado. Feliz, ela sentou-se no banco da assistência e orava agradecida. Curioso, eu me aproximei e perguntei o nome da entidade que a atendeu. A velha irmã respondeu com reverência. Adivinhe o nome do caboclo.  Ele mesmo, o grande índio Pena Branca!  

O tempo passou e a pergunta ainda batia dentro da minha cabeça. Será que é o mesmo Pena Branca ? Terá este caboclo conhecido da Umbanda viajado tanto assim ? Afinal, ele é mexicano, americano ou brasileiro ? Quem, afinal, nasceu primeiro, o Pena Branca daqui ou de lá ? Inquietações de um pesquisador, pois os afilhados e médiuns de Pena Branca não ficam, creio eu, tão preocupados com a sua origem.

Uma bela noite, em um modesto e tranquilo terreiro umbandista do interior paulista,  contecia uma gira de caboclo. A líder do terreiro abriu o trabalho e incorporou. Seu Pena Branca estava em terra, em todo o seu esplendor e força. Fiquei atento, lembrei-me do Caribe e pensava em tudo isso que agora escrevo aqui. O caboclo Pena Branca riscou seu ponto, pediu um charuto, deu algumas ordens ao cambono e olhou para onde eu estava. Senti uma estranha energia percorrer minha espinha. Ele continuou olhando e acenou. Me levantei e acenei de volta.Foi então que ele falou : Filho, era eu, lembra ? Tem aí um maço de ervas bem cheiroso para mim ?

Salve Seu Pena Branca!

segunda-feira, 23 de março de 2015

Xamanismo - Sabedoria Hunikuin - kaxinawa




A HISTÓRIA DO CIPÓ CONTA SOBRE UM ÍNDIO CAÇADOR DA FLORESTA E UMA ÍNDIA ENCANTADA

Contada por Isaias  Sales, Ibã kaxinawá


Um dia o índio foi caçar dentro da floresta, no caminho, na beira do lago encontrou um pé de jenipapo. As frutas dão fartura e comida aos bichos da mata.
   Ele parou de caminhar, tinha muito rastro de anta e veado. Pensou, e fez uma tocaia para poder esperar a anta e o veado. Fez uma casa pequena de palha de jarina bem fechada. Entrou na tocaia e ficou esperando os animais. Nada de chegar o veado (txashu) e a anta (awa). Ficou aperreado, sentiu sono e dormiu dentro da sua tocaia. De repente ouviu um barulho, levantou-se para ver o que era. Viu uma anta (awa) procurando jenipapo. Pegou três frutas de jenipapo e foi descendo devagarzinho na beira do lago.
   O homem da tocaia começou a prestar atenção no segredo da anta, o que ela estava fazendo. A anta ficou na beira do lago jogou as frutas de jenipapo, para baixo, pra cima e no meio. A anta (awa) ficou esperando e logo começou a sair muita espuma no meio do lago, no meio da espuma ela boiou: era uma mulher clara de cabelos compridos e lisos, magra e bonita: Era uma mulher jibóia que vinha atrás da anta. Ela subiu pra terra, abraçou e beijou a anta (awa). A anta transou com a mulher jibóia.
   O homem da tocaia viu o segredo da anta ou awa e somente observando, apaixonou-se pela mulher encantada.
   A anta (awa) terminou de fazer amor com ela e combinou para se encontrarem na outra semana. O homem dentro da tocaia ouviu a conversa dos dois.
   A awa foi embora e a mulher sumiu para dentro do lago. O homem pensou.
   Saiu de dentro da tocaia fazendo do mesmo jeito que a awa fez: pegou três frutas de jenipapo, jogou de jeito que ele viu. Demorou pouco tempo e começou a sair espuma, saiu do mesmo jeito, a mulher muito bonita (hadua).
   Ela chegou à beira do rio e procurou o homem, que a chamou:
   -Onde você está escondido? Saia logo.
   O homem da tocais fez isso, ficou escondido e respondeu:
   -Eu estou aqui esperando você.
Ela subiu para a terra e encontrou o homem sentado. ela chegou perto dele e perguntou:
Quem me chamou?
O homem respondeu:
-Fui eu. Estou chamando porque estava caçando, encontrei jenipapo na beira do meu caminho, vi anta e veado comendo muitas frutas de jenipapo.
Fiz tocaia para ficar esperando veado e anta. A anta chegou e fez mágica no lago. Saiu uma mulher muito linda, eles tiveram relação, vi de dentro da minha tocaia. Quando foram embora, a anta e a mulher, fiquei apaixonado pela mulher. Fiz a mesma coisa que a anta fez.
   O homem falou assim com ela. Ela achou graça e respondeu pra ele:
- Eu sou uma mulher, mas não sou daqui, eu moro muito longe. Faz tempo que tu estas aqui?
   Ele respondeu:
- Faz horas. E eu vi tudo como a anta fez com a mulher.
A mulher perguntou:
-Tu tem mulher?
O homem respondeu
-Eu tenho. E você tem marido?
Ela falou:
-Somente tenho namorado.
- Então vamos txuta?
Ela aceitou. O homem txutou. Ela gostou muito de fazer amor. Depois disso a mulher não quis mais deixá-lo. Ela o convidou pra morarem juntos.
O homem aceitou.
   A mulher pegou remédio, botou remédio no olho do índio, já encantado com ela. Ele foi com ela pra terra da jibóia debaixo da água, para outro mundo, virou encanto de jibóia.
   Chegou a sua casa, entrou no quarto e ficou dentro de seu quarto.
   Ela falou assim pra ele:
   - Eu vou avisar para o meu pai e a minha mãe.
   Foi e avisou assim:
  - Eu já consegui marido.
Os parentes dela gostaram dele. Ele morou com ela 12 anos, fez três filhos jibóia, dois homens e uma mulher.
   Um dia a mulher jibóia começou a preparar o cipó para tomar com o seu povo.
   Quando estava tirando muito cipó e fazendo o preparo, o marido chegou, e perguntou:
   O que é isso?
   A mulher dele explicou:
   - esse é cipó Huni Pae. Estou fazendo chá para beber e ver coisa bonita.
   Ele ficou animado e disse:
  - Então eu vou tomar também.
   A mulher disse que não podia beber.
   - Você é uma pessoa nova que está conhecendo agora, então você não pode tomar com a gente.
   O homem teimou e tomou o cipó preparado. A mulher, o sogro e a sogra tomaram e veio a miração muito forte, apresentando muita luz forte.
   O homem não agüentou, quando a mulher começou a cantar, a sogra e o sogro estavam cantando também. Ele começou a gritar, pensando que não retornaria mais, estava vendo na miração que seu sogro o estava engolindo, ele se viu dentro da jibóia.
   Quando a pressão foi embora o homem parou de gritar, mas quando estava gritando contou sobre a sua vida. E quando estava dentro da jibóia descobriu que a mulher dele era uma jibóia. Até então ele não sabia que estava encantado.
   Todos da família da mulher ficaram desconfiados, não estavam mais gostando dele. O índio ficou todo triste e desconfiado, se fechou com ele mesmo. Ficou pensando que estava perdido morando muito longe de sua família antiga. Não tinha nenhuma idéia para voltar pra sua família.
    Até que um dia chegou uma mulher bem morena. O homem estava sentado lá fora pensando, a mulher passou perto dele. E falou:
    - O que você está pensando homem?
    O homem respondeu:
- A minha mulher não quer mais morar comigo.
 - A mulher respondeu:
  - Ta muito fácil meu nome é Ixkê, moro perto da sua família, que você deixou. Está vendo o meu cabelo todo assanhado? É por causa de você, que deixou a sua família. Estão todos passando mal, eles queriam me pegar e puxaram o meu cabelo. Melhor tu ir embora, não deve morar mais aqui, a tua mulher jibóia está aprontando para te matar.
   O índio falou com Ixkê:
- Como posso voltar?
- É muito fácil. É assim: vai pegando o igarapé, subindo até a cabeceira, e lá vai encontrar raiz da paxiúba, onde está pingando água. Tu sais, vai embora. Ixkê explicou pra ele.
   No outro dia o índio foi caçar, falou pra mulher assim:
  - Eu vou caçar e volto aqui.
  Ele saiu bem cedinho, pegou o igarapé, foi subindo até encontrar com Ixkê e encontrou a raiz paxiúba, boiou perto da sua casa deste lado do mundo.
   Encontrou um parente dele, ficou na casa do cunhado antigo. Contou a sua história com a mulher jibóia.  O homem passou um tempo morando com seu cunhado.
  Os três filhos que teve com a mulher jibóia estavam muito preocupados procurando o pai.
   Deste lado do mundo, ele foi caçar de novo na beira do igarapé, então encontrou o seu filho mais novo. O filho jibóia vendo que encontrou o pai dele, chamou o outro irmão, a irmã e a mãe.
   O filho que encontrou o pai, logo engoliu o dedo do pé, o filho jibóia gritou assim:
- Siri, siri, siri.
   Veio o outro filho mais velho e engoliu até a coxa. Veio o outro filho mais novo e engoliu até a cintura.
   O homem começou a gritar chamando seus outros parentes do mundo de cá:
- Venham meus parentes. As jibóias estão me engolindo.
   Gritou para os outros parentes escutarem. O parente escutou, veio na carreira e encontrou o homem com a cintura sendo engolido pela parenta jibóia. Com os outros parentes conseguiram tirar ele.
   O homem ficou com o corpo todo mole, ficou na rede, estava doente, falou para seu cunhado:
   - Quando eu morrer me enterra, passando seis meses pode me procurar na minha sepultura.  Na parte direita vou virar cipó, na parte esquerda vou virar rainha. Tira o cipó, corta uma palma de comprido, bate com um pedaço de pau, tira a casca, bota água junto com a folha, pode cozinhar e depois cantando, eu fico dentro do cipó explicando pra você.
   Foi explicando pro cunhado dele enquanto ele morria.  Enterraram, passou seis meses, o cunhado dele foi visitar a sepultura e já tinha nascido o cipó e a rainha. Tirou os dois juntos. Fez como ele havia explicado.
   Fez o cipó, tomou, veio a miração, teve muitas explicações, mostrando o futuro, presente e passado. É verdade, do homem surgiu o cipó. É essa a nossa história.


Fonte do texto: Huni Meka: cantos do Nixi Pae. Comissão Pró-Índio, 2007.
Fonte das imagens: https://www.facebook.com/iba.sales